sábado, 1 de janeiro de 2011

“Quem tem um sonho não dança” – Faça um novo ano novo


“Quem tem um sonho não dança” – Faça um novo ano novo


Estas do título são palavras do Cazuza, meu poeta amado, tradutor das inquietudes do meu tempo. Com toda loucura, ele encontrou seu lugar na vida de compor e cantar. E mostrar sua cara e nos chamar à não hipocrisia. E fez sua história. Cito-o porquê sigo muito preocupada com o numero de crianças e a adolescentes perdidos de si, que perdem a vida para o crack e outras formas suicidas de existir. Em muitas cidades continua a crescer os casos de jovens que desistem , não suportam, sabe-se lá que nível de angustia, e dão fim ao seu calvário. O que está acontecendo? Segundo os princípios africanos, não me lembro agora de que nação é o fundamento, “é preciso toda uma aldeia para se educar uma criança”. Então conclamo a todos a arregaçarem as mangas e tentar orientar um jovem por dia. Seja primo, sobrinho, irmão, amigo, filho de amigo. Não temos uma cultura reflexiva, onde reafirmamos nossa identidade e nos reconhecemos. Vale explicar direitinho para uma criança ou um jovem o rumo de sua ação. Eles prestam atenção quando somos bons explicadores e quando fica claro que estamos do seu lado. Vejo um desamparo geral dos que, por nós criados, seguem sendo analfabetos de si e do mundo. Se repararmos, no caminho do malfeito desse ou daquele menino , tem sempre um adulto que falhou com sua ausência resultada em abandono ,ou com sua nociva presença cheia de obstruções, conselhos visando só ganhar dinheiro, ainda que isso custe o preço de nosso melhor sonho. Um jovem é diagnosticado como tal exatamente pela sua potencia romântica, seu coração destemido e quixotesco, e pela sua confiança na própria capacidade de mudar o mundo. Não esfacelemos sua esperança. Muitas vezes quando confessa: pai, quero estudar agronomia mas quero trabalhar com os sem terra, fazer horta comunitária, o pai enlouquece: “mas que palhaçada é esta ?Roça comunitária é coisa de vagabundo. Já viu isto dá dinheiro? Você tem que pensar é no seu, seu babaca!” É em casa que se escuta este tipo de pensamento de consequências desastrosas.Botam um menino desses, que nasceu com coração descalço, enfiado num terno numa loja num shopping ou na empresa do pai, que muitas vezes ,sem ninguém se dar conta do enredo, começa a falir.Esqueceram de perguntar a este jovem quais são os seus desejos, suas vocações, suas inclinações. Estamos, adultos e experientes, em condição privilegiada em relação aos que vieram depois de nós. Podemos ajudá-los a ampliar as pistas para chegar a si mesmo e, com estas informações se disponibilizarem a conhecer o outro e seu mundo. Um homem que tem intimidade com seus fluxos de ser e que se torna conhecedor de suas margens, logo encontra seu sonho e com ele navega, e em suas águas outros sonhos encontra e por eles peleja, luta, e com eles verdeja. O sonho é âncora , bússola.Sem ele ir aonde? Por quê? Para que? Pois está se matando quem não suporta um não, uma rejeição, uma intempérie, uma tristeza: quem não se recuperou de seu abandono, quem tem tudo e vive desnutrido de afeto; quem não tem quem diga "vem cá, meu filho, vou te ajudar a encontrar tuas habilidades.”. É triste encontrar um menino de vinte anos cujo único sonho é “trocar seu carro novo por um novo carro novo”.


Pedófilos, corruptos, mafiosos, sádicos, ladrões e assassinos foram, geralmente, crianças que por algumas mãos adultas tratadas, forjadas, ensinadas assim. Parece triste o que digo, mas o que estou dizendo é que tem jeito. Esse assunto de educação não é sorte. Dá para se prever o futuro de um cidadão, se nos presente o construirmos. Ai meus amigos, tanta coisa está em jogo: amamentação amorosa, o jeito como pegamos uma criança no colo, o quanto a amparamos, o quanto de apoio damos à pequena coluna desse bebê pra que ele consiga erguer-se. Claro que há os que não tiveram nada destas estruturas seguras, e que, no entanto se reinventaram e dão um baile no caldeirão das probabilidades. Mas quem puder que garanta já uma boa infância aos seus rebentos e aos que, nem que seja por algumas horas, passem sob seus cuidados. Sempre há um jeito para os vivos. Não se matem, meus amores, escrevam melhores capítulos. Temos todo medo do fracasso, medo de não agradar, de não representarmos importância no coração de papai, mamãe, nem ninguém. Por isso somos todos sobreviventes, de alguma dor, um vicio, uma paixão, uma rejeição . Para todas estes infortúnios, um só antídoto: agarre na mão do sonho, através dele se procure, se compreenda, se acolha onde o amor faltou. Estamos chegando no final do ano e milhões de vestibulares e cursinhos especializados em aprovar neles proliferam.Pois atenção esteticistas, massagistas, enfermeiros, eletricistas, marceneiro, cozinheiros, pintores, costureiros, médicos,músicos, professores, artistas. Tudo é igualmente importante para o mundo e todos podemos ser brilhantes em cada trabalho que de nós merecer dedicação natural. Porque dá caminho e luz, o sonho é o sol. Vá tomar seu banho. É direito do povo. E aí teremos um ano realmente novo!


Beijos, Elisa Lucinda.





LUCINDA, Elisa. “Quem tem um sonho não dança” – Faça um novo ano novo. [mensagem pessoal]. Mensagem recebida em 24 dez. 2010.


Cenário revela rotina de Elisa Lucinda


O texto e arquivos que se seguem foram retirados de uma das sessões de entretenimento da Folha Vitória, intitulada “Cenário”. Miguel Filho e Aline entrevistam a poeta Elisa Lucinda durante o lançamento do livro Parem de falar mal da rotina no Espírito Santo, ocasião na qual, além de um banner cair sobre os três, Elisa Lucinda dá um banho de champagne.



O dia em que Elisa Lucinda me deu banho… E foi uma delícia!

Publicado em 21/12/2010 às 11:51 | Postado por admin



Poeta, atriz, cantora e principalmente capixaba. Não foi nem preciso muito esforço para que a gente da Cenário disparasse em uma busca louca quando descobriu que Elisa Lucinda lançaria no último fim de semana o livro “Parem de Falar Mal da Rotina”, versão editorial do espetáculo homônimo, megasucesso que roda o mundo desde 2002.


Depois de muitos telefonemas (Obrigado, Erika Zetum!), desespero, queda de cabelo e aumento de pressão, estávamos lá… Sim, estávamos! Porque eu não desgrudo mais de Raylline e busca da Cenário sem ela já não tem graça. Por isso os dois, estavam lá, diante da poesia viva e bem vivida. O resultado desse encontro regado a poesia, lápis de cor, risadas e banho de champagne. Sim... Elisa não se contentou em conversar comigo e me deu um banho.


PS: Vai ser a primeira vez que eu apareço SEM ROUPA no vídeo. Quem sabe não é o primeiro passo para um ensaio nú? Bem, fica para uma próxima e vocês fiquem com a entrevista aí embaixo. Que seja tão gostoso pra vocês quanto foi pra gente.





...


Disponível em “O dia em que Elisa Lucinda me deu banho… E foi uma delícia!”.


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Canção à Elisa...


Após algum tempo sem novas postagens, e, principalmente, após uma postagem triste para tantos de nós, julguei válido postar aqui algo leve, até mesmo alegre, que, em lugar de provocar-nos uma reflexão indignada – como bem o faz aquele “Só de sacanagem” – deixasse-nos com um sorriso nos lábios, aquietando-nos um pouco em meio ao turbilhão de más notícias: corrupção, violência, eleições à nossa porta, esperança, medo...


Foi sem querer que me dei com o belo vídeo que se segue, tratando-se ele de uma bela homenagem à Elisa Lucinda, cantada por Alexandra Senna e escrita por Marilda Couto. Considerando pouco dedicar apenas um post a tão bela canção, optei por fazer dela canção oficial do nosso blog disponibilizando-a também em nossa barra lateral, dando-nos às mãos com Marilda Couto, Alexandra Senna e Eraldo Costa em tão bela e merecida homenagem.




Poesia


se a poesia

ceder ao apelo

mudando o endereço

venceu a razão

posso invadir

seu peito ligeiro

virar-lhe do avesso

sentir a emoção

embora seguindo o mesmo caminho

das flores secas

respeito os espinhos

se a poesia

no desassossego

vencer no cabresto

voltou a emoção

ao criar

poema verso soneto

vou rodear o coreto

papel lembrete na mão

volto a ser

sua vizinha de porta

ao lhe ver

essa visão me conforta

vou sorrir

a poesia escrita

por ela

que é lisa e que é bela

que linda que linda aquarela

Lucinda quimera

que Elisa e que é bela

que linda que linda quimera

que é lisa e que é bela

que linda que linda aquarela

Lucinda quimera

que Elisa e que é bela

que linda que linda quimera



Letra: Marilda Couto

Música e arranjos: Eraldo Costa

Voz: Alexandra Senna