sábado, 28 de março de 2009

Parem de falar mal da rotina



Termos da nova dramática (Parem de falar mal da rotina)

Parem de falar mal da rotina
parem com essa sina anunciada
de que tudo vai mal porque se repete.
Mentira. Bi-mentira:
não vai mal porque repete.

Parece, mas não repete
não pode repetir
É impossível!

O ser é outro
o dia é outro
a hora é outra
e ninguém é tão exato.
Nem filme.
Pensando firme

nunca ouvi ninguém falar mal de determinadas rotinas:
chuva dia azul crepúsculo primavera lua cheia céu estrelado barulho do mar
O que que há?
Parem de falar mal da rotina
beijo na boca
mão nos peitinhos

água na sede
flor no jardim
colo de mãe

namoro
vaidades de banho e batom
vaidades de terno e gravata

vaidades de jeans e camiseta
pecados paixões punhetas
livros cinemas gavetas
são nossos óbvios de estimação
e ninguém pra eles fala não

abraço pau buceta inverno
carinho sal caneta e quero
são nossas repetições sublimes
e não oprime o que é belo
e não oprime o que aquela hora chama de bom

na nossa peça
na trama
na nossa ordem dramática

nosso tempo então é quando
nossa circunstância é nossa conjugação
Então vamos à lição:

gente-sujeito
vida-predicado
eis a minha oração.

Subordinadas aditivas ou adversativas
aproximem-se!
é verão
é tesão!

O enredo
a gente sempre todo dia tece

o destino aí acontece:
o bem e o mal
tudo depende de mim
sujeito determinado da oração principal.

29 de outubro de 1997

LUCINDA, Elisa. “Termos da nova dramática”. In: Euteamo e suas estréias. Rio de Janeiro, RJ: Record, 6ª ed., 2007, p. 78-79.





Sábado, 21 de Abril de 2007.

O hábito de ouvir a conversa alheia é um dos nortes para que a poesia viva de Elisa Lucinda venha à tona. Essa e outras características, que dão um colorido especial ao cotidiano, fazem do espetáculo “Parem de falar mal da rotina”, o maior sucesso teatral dos últimos anos, que estará de volta ao Rio no próximo dia 05 de agosto no Teatro Sesi, no Centro do Rio, sempre aos sábados e domingos às 19h.


Mais de 150 mil pessoas já assistiram à performance de Elisa Lucinda no espetáculo, que ao contrário do que se pensa, não é composto apenas por poesias, que aparecem apenas como coadjuvantes da estrela principal da peça, que é a lupa colocada por Elisa diante do cotidiano.

Vários personagens que habitam diariamente nossas vidas são expostos por Elisa nesse divertido espetáculo: O casal que passa a noite inteira sem trocar uma palavra sequer no restaurante,
a mulher que evita ir à praia para o namorado não vir a chapinha ir por água abaixo, literalmente, e até a dificuldade dos homens em dizerem “Eu te amo” são abordados pela poetisa capixaba em “Parem de falar mal da rotina”.


Já no início do espetáculo, Elisa costuma ganhar a platéia quando confessa um de seus hábitos preferidos: o de reparar. “Ge
nte, pelo amor de Deus, quando eu for visitar alguém pela primeira vez, e chegar na casa da pessoa jamais me peça: ´Não repara, não!´ É mais forte que eu. Fico olhando tudo mesmo. O que combina e o que não combina com a pessoa. O que é cafona e não deveria estar ali. Sou a autêntica reparadeira", entrega.


Os versos e as histórias que compõem o “Parem de falar Mal da Rotina” são compreensões que estão em forma de acertos e erros em toda obra dessa autora-atriz, mas principalmente traduzidos pelo livro “Euteamo e suas estréias”, que foi o que melhor estruturou o conceito teórico dessas estréias do cotidiano. Sem pretender isso, talvez esse espetáculo, seja uma auto-ajuda inteligente, uma aula de cidadania através da educação emocional; pois cuidando melhor de nossa rotina, autores e protagonistas que somos dela, cuidaremos melhor de nós mesmos, dos que nos cercam e do mundo à nossa volta.

Elisa Lucinda costuma dizer que gosta de
sair da leitura de um livro, de uma exposição de arte, de um espetáculo teatral ou de um filme, tocada, acrescentada, enfim, diferente de quando entrou. Esse para ela é o papel da arte. E o mesmo deseja a seu público. Portanto, prepare-se porque outra característica marcante de “Parem de falar mal da rotina” é o público composto por repetentes. Pessoas que não se satisfazem com apenas uma dose e voltam para assistir mais uma vez o espetáculo que procura dar um colorido especial ao cotidiano, com a divertida mania de Elisa Lucinda em reparar o mundo ao seu redor.


Elisa Lucinda é poeta e atriz. Capixaba, reside no Rio de Janeiro há 19 anos. É reconhecida no Brasil e no exterior pelos workshops e oficinas que ministra e seus espetáculos. Há sete anos mantém a "
Escola Lucinda de Poesia Viva” onde ensina Interpretação Teatral da Poesia para professores e profissionais de diversas áreas, seguindo o lema: Falando poesia sem ser chato. É autora dos livros/CDs "O Semelhante", "Euteamo e suas Estréias" e a Coleção infantil “Amigo Oculto”, ambos pela Editora Record e "A Menina Transparente" - Editora Salamandra. Acaba de lançar pela Editora Record o livro de poesias “A Fúria da Beleza”.

Atualmente está no ar interpretando a personagem “Selma”, na novela “Páginas da Vida”, de Manoel Carlos. Já participou de novelas como Mulheres Apaixonadas (Globo), Kananga do Japão (Manchete);
A Escrava Anastácia (Manchete); Sangue do meu sangue (SBT); Mãe de Santo (Manchete) e Araponga (Globo).

Seus últimos trabalhos no cinema foram “A Fábula da Bella Palomeira” (Ruy Guerra); “A Morte da Mulata” (Marcel Cordeiro); “Gregório de Mattos” (Ana Carolina); “Seja o que Deus quiser” (Murilo Sales).


Disponível em: http://www.mundonegro.com.br/noticias2/index.php?noticiaID=759



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